Vereadores vão ao DRS de Sorocaba para cobrar mais pela saúde

foto1

No dia 29 de Abril, os vereadores Anderson Roza, José Luis e Ricardo Dias, foram à Sorocaba para dar início a uma reunião marcada com a Dra. Paula Purchio Duarte Stuckus, diretora responsável pelo DRS XVI (Departamento Regional de Saúde), e sua substituta, senhora Adriana, onde foram entregues denúncias e reclamações da população no atendimento à Estratégia Saúde da Família, agora serão enviados os ofícios com os dados reais coletados nas unidades, sobre a ausência de atendimento médico, a situação precária em que se encontram tanto os pacientes que não estão sendo atendidos, quanto os funcionários que também estão impossibilitados de prestar um bom atendimento e com salários atrasados há muitos meses.

Mas o que mais chamou a atenção dos vereadores é que até então a diretora, Dra. Paula, não tinha ciência das condições precárias que se encontra nosso município. Foram 7 postos percorridos, desde da zona rural até o centro. Os postos visitados foram:

Palmitalzinho

A conversa com a funcionária, informou que a última vez que o médico apareceu no posto foi em Novembro de 2018, esse posto era atendido pelo Dr. Alexandre. Lá trabalham a enfermeira e duas irmãs, a enfermeira trabalha de segunda e sexta no bairro de Conceição do Herval, e terça e quinta no bairro do Lajeado. As gestantes eram atendidas uma vez por mês pelo Dr. Raul, no caso de pediatria, os pacientes estão sendo encaminhados para o posto central de Apiaí.

A situação esta cada vez pior, teve o caso de um pacientes com dor de dente e não conseguiu atendimento, o paciente chegou ao consultório por volta das 6h30 e quando o dentista chegou, marcou apenas 10 consultas e o paciente em questão não foi atendido, voltando com dor para casa. Não há dentista a 2 anos neste posto de saúde, relata a funcionária.

As pessoas com diabetes, hipertensão, passam com a enfermeira, e quando tem casos de entrar com medicação, ela manda para a médica de Araçaíba. Em um caso a enfermeira, usando seu próprio carro, foi até o posto e a médica do posto de Araçaíba, não tinha receituário azul, voltando para o posto de mãos vazias, perdendo a viagem e gasolina.

 Conceição do Herval

Perguntado sobre como está o atendimento médico no posto, a funcionária relata que não tem médico desde Outubro de 2018, a enfermeira que está atendendo no lugar dele. Acompanhamento médico também não existe.

A pediatria está sendo feita no centro de Apiaí, que fica aproximadamente a 30km de distância, os moradores que tem condições e condução própria vão para o centro para serem atendidos, já os que não tem esse meio de locomoção, ficam sem atendimento. A falta de agentes comunitário também é outro problema que ocorre no bairro.

Os exames estão sendo coletados no posto pela enfermeira, uma vez por mês e esta auxilia o bairro de Palmitalzinho toda segunda-feira. Pacientes com encaminhamento para cirurgia, por exemplo, tem seus exames levados até o médico pela enfermeira, assim o médico receita através do exame sem ver o paciente. Os casos de pacientes com problemas de psiquiatria estão sendo passados com a própria enfermeira, que para não ficarem sem a medicação, tudo isso feito sem receber o salario em dia e usando o próprio veículo para o transporte desses pacientes.

Em conversa com os vereadores um relato chamou a atenção de todos:
“Aconteceu aqui! Uma paciente passou mal por falta de insulina e veio a óbito, aqui tá difícil, não tem ônibus nada.” O nome da paciente era Lourdes Garcia de Souza.

Araçaíba

No caso deste posto, os vereadores tiveram uma surpresa, a funcionária disse que não está com problemas, as pessoas estão sendo atendidas todos os dias e não falta médico. Não tinha do que reclamar.

Lajeado

A funcionária desse posto pede para que a jornada de trabalho volte ao seu período normal, o horário de meio período por dia está está limitado o atendimento e o serviço, a briga maior é por falta de vagas. Não tem pediatria desde 31 de Dezembro, ginecologista atende uma vez por mês pelo Dr. Raul.

Nos casos de psiquiatria, os prontuários estão se acumulando na mesa da médica, pelo fato da demanda ser muito grande e ter seu horário reduzido, ela não está conseguindo dar conta de todos os prontuários. O posto sofre também com infiltrações, rachaduras e móveis quebrados, ambiente de trabalho em condições que não lembram, nem de longe, um lugar que é para cuidar da saúde. A limpeza está sendo feita por pessoas contratadas pelos funcionários, porque não tem como atender e limpar ao mesmo tempo.

Encapoeirado

Este posto está com falta de tudo, tem um funcionário que está afastado pelo INSS, sendo a pessoa da administração que está atendendo na recepção e sem pessoal da limpeza, onde, enfermeiras e médica e administrativo se revesam na limpeza do posto para mante-lo limpo. A médica responsável pelo atendimento comparece todas as quartas, atendendo 16 pessoas por semana, sendo que, no bairro existem em média mais de 500 famílias, deixando muita gente sem atendimento.

Na parte de odontologia a coisa não anda muito bem, colocaram uma cadeira que estava quebrada em outro posto e está jogada em uma sala, segundo informação dada aos vereadores seria que esta cadeira foi deixada e não deram uma satisfação se retornariam para instalar ou o que seria feito com a cadeira de dentista, simplesmente foi largada na sala. Os encaminhamentos estão sendo mandados para o centro de Apiaí, somente alguns casos de urgência estão retornando. Ginecologia é feito uma vez por mês, com o Dr. Raul

Alto da Tenda

No caso do posto deste bairro, está sem atendimento médico desde Fevereiro de 2019, a pediatra está a 3 anos sem médico e as consultas estão sendo feitas no hospital.

Há 2 anos que não tem ginecologista, atendimento psiquiátrico está sendo feito pela enfermeira do posto, que faz o requerimento, manda para outro posto e a demora é em torno de 15 dias para mandarem os remédios. Sem médico e sem clínico-geral a situação complica a cada dia, funcionários com pagamentos atrasados e trabalhando em dobro para manter o posto funcionando e não deixar a população sofrer.

Cordeirópolis

A mesma história de todos, sem médicos e paciente sobrando, somente a enfermeira está atendendo, na agenda da enfermeira só tem vaga para Junho. Pacientes com medicamentos controlados estão sendo encaminhado para o posto central.

Pediatria não tem no posto, na parte odontológica os pacientes estão sendo atendidos normalmente.

Palmital

Sem médico desde Fevereiro de 2019, Dr. Carlos atendia 16 pacientes por dia. Enfermeira atende duas vezes por semana as gestantes. Pediatria nunca teve no posto, mas não por falta de profissional e sim por falta de pagamento.

Outro relato aos vereadores foi que funcionários tiveram que comprar pilhas para o aparelho que mede a glicemia. O posto também sofre com o problema da falta de medicação. Os agentes comunitário de saúde que tem o início de sua jornada as 11h e término as 13h, pegam pacientes dentro do posto para fazer relatórios dos seus serviços.

Nesta corrida da saúde, os vereadores levaram todos esses relatos à diretora do DRS de Sorocaba. Todas as conversas foram gravados com a autorização dos envolvidos apenas com o fim de registro, sem a intenção de prejudicar ninguém.

Para a população deste bairros, que estão sofrendo a cada dia, e esse problema só aumenta, fica a mensagem dos vereadores:
“Não vamos parar por aqui, #saúde é coisa séria e nossa população merece respeito!”

foto3

foto2